Construção Civil

Panorama Macroeconômico da Construção Civil em 2025–2026

O setor da construção civil segue como um dos pilares do desenvolvimento econômico brasileiro, responsável por cerca de 6% do PIB e pela geração de milhões de empregos diretos e indiretos. Em 2025, o mercado entra em um novo ciclo, após anos de instabilidade macroeconômica, juros elevados e gargalos logísticos que impactaram desde os grandes empreendimentos até o pequeno varejo de materiais de construção.
Este artigo analisa as principais forças que moldarão o cenário entre 2025 e 2026, levando em conta fatores globais — como a política comercial dos Estados Unidos sob a administração Trump —, a disponibilidade de insumos como madeirites e compensados, e as tendências tecnológicas e regulatórias que devem definir o ritmo da retomada do setor.

Contexto Econômico Global: um ambiente de incertezas controladas

O ano de 2025 começou com sinais mistos na economia mundial. De um lado, as grandes potências experimentam desaceleração controlada após o ciclo de inflação pós-pandemia. De outro, a volta de medidas protecionistas nos Estados Unidos, com o presidente Donald Trump reforçando tarifas sobre produtos chineses e latino-americanos, afeta diretamente o custo global de insumos industriais.

Para o setor da construção, o impacto vem principalmente no preço de materiais derivados da madeira e do aço — tanto por causa do encarecimento de importados quanto pela volatilidade cambial.
Nos bastidores, empresas brasileiras que importavam compensados e painéis estruturais da Ásia agora buscam novos fornecedores no Chile, no Paraguai e até no mercado interno, o que gera oportunidades e desafios para a indústria nacional.

O cenário brasileiro: juros em queda, mas crédito ainda restrito

O Banco Central do Brasil iniciou um ciclo gradual de redução da taxa Selic em 2024, e a tendência é que ela se estabilize entre 9,25% e 9,75% em 2025. Embora isso traga alívio para o financiamento imobiliário e os investimentos em infraestrutura, o crédito ainda segue seletivo.
A combinação de endividamento público elevado, restrições fiscais e baixo investimento privado impede uma expansão mais agressiva.

Entretanto, o governo federal vem apostando em programas de incentivo — como o “Minha Casa, Minha Vida – Nova Etapa”, projetos de concessões em infraestrutura e a reestruturação do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).
Essas frentes prometem injetar recursos em habitação popular, saneamento básico e obras de mobilidade urbana — segmentos que tradicionalmente impulsionam toda a cadeia de suprimentos, desde o cimento até os madeirites utilizados em fôrmas e tapumes.

Disponibilidade e custo dos insumos: o novo desafio de 2025

A escassez de insumos foi uma marca da pandemia, e o mercado ainda se ajusta.
A produção de madeira serrada, compensados e painéis laminados enfrenta desafios ligados à logística, à fiscalização ambiental e à concentração de oferta em poucas regiões (principalmente no Sul e no Norte do país).

De acordo com dados setoriais (IBÁ e Abimci), o estoque de madeirites e compensados no início de 2025 apresentou redução de 12% em relação ao mesmo período de 2024, o que pressiona preços e margens.
Com as taxações de Trump sobre produtos chineses e a consequente valorização da madeira norte-americana, o Brasil ganha competitividade externa — mas também enfrenta aumento da demanda interna, especialmente para exportação.

Empresas que dependem desses insumos precisam agora adotar estratégias de compra antecipada, diversificação de fornecedores e, em alguns casos, substituição por materiais alternativos (como OSB ou painéis reconstituídos).

Tendências tecnológicas e sustentabilidade

A construção civil em 2025 caminha para um ponto de inflexão tecnológica. A digitalização de processos (com o BIM 6D e 7D) e o uso de madeira engenheirada em larga escala estão transformando a produtividade e a sustentabilidade do setor.
Projetos de médio e grande porte já adotam soluções híbridas que combinam madeira estrutural laminada, aço leve e concreto de baixo carbono.

Além disso, o consumidor final e os investidores institucionais exigem certificações ambientais. Madeiras e compensados com selo FSC ou PEFC tornaram-se não apenas diferenciais, mas requisitos de mercado.
Empresas que ainda operam sem rastreabilidade na origem da madeira enfrentarão restrições crescentes, especialmente em contratos públicos.

A influência das políticas públicas e regionais

O investimento público em infraestrutura será um fator-chave para o desempenho do setor.
Estados como Mato Grosso, Pará, Paraná e Bahia têm atraído projetos industriais e de logística, gerando demanda por galpões, armazéns e obras civis de apoio.
Por outro lado, regiões com déficit habitacional elevado — como o Nordeste e o Norte — seguem como foco de programas habitacionais.

A nova regulamentação da Política Nacional de Florestas Plantadas, prevista para entrar em vigor em 2026, deve ampliar o estímulo a reflorestamentos comerciais de eucalipto e pinus, aumentando a oferta de madeira para construção e reduzindo a pressão sobre florestas nativas.

Projeções de crescimento e riscos

As projeções setoriais indicam um crescimento médio entre 2,5% e 3,2% ao ano para o PIB da construção civil entre 2025 e 2026, sustentado principalmente pela infraestrutura e habitação popular.
Porém, há riscos claros:

  • Volatilidade cambial, com impacto direto nos insumos importados;

  • Persistência de juros reais altos, travando o crédito imobiliário;

  • Escassez de mão de obra qualificada, principalmente em regiões em expansão;

  • Oscilações climáticas que afetam a produção de madeira e logística florestal.

Estratégias para empresas e profissionais do setor

Diante de um cenário competitivo e imprevisível, a sobrevivência das empresas dependerá de três pilares:

  1. Gestão de custos e estoques inteligentes

    • Monitorar preços de madeira, compensados e cimento semanalmente.

    • Estabelecer contratos de fornecimento antecipado.

  2. Digitalização e eficiência

    • Adotar tecnologias BIM e plataformas de controle de obras em tempo real.

    • Utilizar ferramentas de previsão de demanda e gestão de suprimentos.

  3. Sustentabilidade e reputação

    • Investir em certificação ambiental dos materiais.

    • Reportar emissões e práticas ESG para atrair novos clientes e investidores.

O biênio 2025–2026 se desenha como um período de reacomodação e consolidação para a construção civil brasileira.
Apesar das incertezas geopolíticas e tarifárias, há uma janela de oportunidade aberta: juros em queda, maior previsibilidade regulatória e crescente valorização da sustentabilidade.
Empresas que se adaptarem rapidamente, diversificarem seus canais de fornecimento e investirem em inovação terão condições de prosperar — transformando o setor em um vetor real de crescimento econômico e desenvolvimento sustentável.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *