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Madeirites, compensados e madeira serrada: o que esperar do mercado até 2026

O que está acontecendo com o mercado da madeira em 2025?

O mercado de madeirites, compensados e madeira serrada vive um período de transição importante.
Desde o fim de 2024, o setor vem enfrentando estoques mais baixos, custos logísticos em alta e uma demanda internacional aquecida.
O resultado é claro: os preços subiram e a compra de materiais ficou mais difícil, especialmente para quem trabalha com construção civil.

Não é que esteja faltando madeira, mas o caminho até ela ficou mais caro. A expectativa é que essa instabilidade continue ao longo de 2025, com sinais de equilíbrio só a partir de 2026, quando novas áreas de reflorestamento começarem a dar resultado.

Por que os preços da madeira subiram tanto?

Existem três grandes motivos para essa alta de preços.

  1. A guerra comercial entre EUA e China.
    As novas tarifas impostas por Donald Trump aos produtos chineses encareceram o mercado global da madeira.
    Com isso, o Brasil passou a exportar mais e reduziu o volume disponível para consumo interno.

  2. O custo do transporte.
    O frete rodoviário e portuário aumentou entre 25% e 30% nos últimos dois anos.
    Um caminhão carregado de chapas de Curitiba até Salvador, por exemplo, hoje custa quase um terço a mais que em 2023.

  3. A demanda aquecida.
    O setor da construção civil voltou a crescer, impulsionado por programas de habitação e obras de infraestrutura.
    Isso elevou o consumo de painéis e madeirites em praticamente todo o país.

O resultado é que produtos como o compensado naval e o madeirite plastificado já subiram, em média, de 18% a 22% entre 2024 e 2025.

Vai faltar madeira no Brasil em 2026?

A resposta é não. Mas o mercado ainda deve viver um bom período de instabilidade.
A produção florestal está se ajustando e novas áreas de pinus e eucalipto estão sendo plantadas, mas isso leva tempo.

O lado positivo é que o governo federal está estimulando o reflorestamento com a Política Nacional de Florestas Plantadas.
Essas novas áreas devem começar a equilibrar a oferta a partir de meados de 2026.
Quando isso acontecer, é provável que os preços caiam um pouco e a disponibilidade melhore de forma gradual.

Quais produtos estão mais escassos?

Os maiores impactos estão em três categorias:

  • Madeirite plastificado, usado em fôrmas de concreto e tapumes

  • Compensado naval, comum em obras de alto padrão e aplicações externas

  • Madeira serrada, especialmente pinus e eucalipto tratados

Esses produtos têm grande demanda e pouca reposição de estoque.
O problema é ainda mais visível no Norte e no Nordeste, onde o frete é caro e o acesso aos grandes centros produtores é mais complicado.

Onde a madeira brasileira é produzida?

A madeira e seus derivados são produzidos principalmente em três regiões:

  • Sul (Paraná e Santa Catarina), que lideram a fabricação de compensados e painéis estruturais

  • Centro-Oeste (Mato Grosso do Sul e Goiás), com destaque para florestas plantadas e serrarias industriais

  • Norte (Pará e Amazonas), com extração de madeira nativa dentro de áreas legalizadas

Essa concentração faz a logística pesar no bolso. A madeira percorre longas distâncias até chegar ao consumidor final, o que encarece o preço final do produto.

Madeira certificada: uma exigência que veio para ficar

O mercado brasileiro está se tornando mais exigente com a origem da madeira.
Selos como FSC e PEFC se tornaram praticamente obrigatórios em licitações e nas grandes construtoras.
Essas certificações garantem que o produto venha de fontes sustentáveis e rastreáveis, o que agrega valor e evita problemas legais.

A tendência é que até 2026 mais de 70% dos produtos comercializados no país tenham algum tipo de certificação.
Isso eleva o custo de produção, é verdade, mas também abre espaço para exportações e contratos de longo prazo com clientes que valorizam sustentabilidade.

Como as construtoras estão lidando com a alta dos preços?

Com criatividade e planejamento.
As empresas do setor estão mudando a forma de comprar e usar madeira. Entre as principais estratégias estão:

  • Fazer compras maiores e antecipadas para garantir preço e disponibilidade

  • Firmar contratos fixos com distribuidores e serrarias regionais

  • Reaproveitar fôrmas de concreto por mais ciclos, reduzindo desperdício

  • Testar alternativas como OSB e madeira engenheirada

Quem planeja e negocia bem está conseguindo segurar custos. Já quem deixa para comprar na última hora, acaba pagando caro.

Quais são as previsões para 2026?

O cenário esperado é o seguinte:

  • Preços continuam altos até o segundo semestre de 2025, com leve queda em 2026

  • Oferta melhora conforme novas florestas entram em produção

  • Demanda segue forte, especialmente em infraestrutura e construção residencial

  • Sustentabilidade se consolida como padrão obrigatório, não mais diferencial

O mercado ainda será competitivo, mas haverá espaço para crescimento, especialmente para quem trabalha com transparência e eficiência.

Como se preparar para o futuro do setor

Quer se antecipar? Aqui vão cinco atitudes que fazem diferença:

  1. Conheça seus fornecedores e a origem da madeira

  2. Negocie contratos mais longos para garantir estabilidade de preços

  3. Priorize materiais com certificação ambiental

  4. Monte um pequeno estoque estratégico de produtos essenciais

  5. Acompanhe o câmbio e as políticas globais, que afetam diretamente o preço

Essas ações simples ajudam a reduzir custos e manter previsibilidade mesmo em um mercado instável.

Um setor em mudança e cheio de oportunidades

O mercado da madeira vive uma fase de ajuste, mas também de amadurecimento.
Os preços subiram e a oferta está apertada, mas o Brasil nunca teve tanto potencial de crescimento sustentável quanto agora.
Com florestas plantadas, certificações e novas tecnologias, o país pode se tornar líder global em produtos florestais renováveis.

Quem atua na construção, na indústria ou na revenda precisa enxergar o momento não como um problema, mas como uma oportunidade.
Planejar, se antecipar e apostar em qualidade vai separar quem sobrevive de quem prospera até 2026.

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