2025 chegou trazendo uma velha conhecida de volta ao noticiário: as tarifas do governo Trump.
Pois é. Com o retorno do ex-presidente americano à Casa Branca, os Estados Unidos voltaram a adotar uma política comercial mais fechada, voltada para “proteger a indústria local”. E, como sempre, quando o maior mercado do mundo muda as regras do jogo… o impacto se espalha.
Entre os setores mais afetados estão os de madeira serrada, compensados e painéis estruturais. E o Brasil, mesmo sem ser alvo direto dessas medidas, acabou sentindo os efeitos.
Neste artigo, vamos entender o que está acontecendo, por que isso importa e o que pode mudar para quem trabalha com construção civil, marcenaria e derivados de madeira nos próximos anos.
O retorno do protecionismo americano
Donald Trump voltou com o mesmo discurso: fortalecer a indústria americana e reduzir a dependência da China.
Na prática, isso significou novas tarifas de importação, principalmente sobre produtos chineses e latino-americanos. Materiais de base florestal, como compensados, MDF e madeira beneficiada, entraram nessa lista.
As taxas subiram rápido — de cerca de 8% para 20%. Resultado? Os produtos chineses ficaram mais caros nos EUA, o que bagunçou toda a cadeia de fornecimento.
Alguns países desviaram seus estoques para outros mercados, e os preços internacionais começaram a subir. A madeira, claro, não ficou de fora.
O Brasil, mesmo à distância, sentiu o impacto. A valorização dos produtos florestais elevou o preço dos importados e, ao mesmo tempo, abriu novas oportunidades de exportação. É aquele típico caso de “ganha num lado, perde no outro”.
O efeito dominó no mercado global
Com as tarifas em vigor, o mercado mundial de madeira virou um verdadeiro tabuleiro de xadrez.
A China, maior produtora de compensados do planeta, perdeu espaço nos EUA e começou a vender mais para a América Latina e a Europa.
O Canadá até tentou ocupar o lugar deixado pelos chineses, mas enfrenta altos custos logísticos.
E o Brasil? Ganhou relevância. A demanda por madeira certificada aumentou, e o câmbio favorável ajudou. Mas isso também trouxe alta nos preços internacionais, que subiram entre 15% e 25% desde o início do ano.
Na prática: quem exporta está feliz. Quem compra madeira para construir ou fabricar, nem tanto.
O reflexo aqui no Brasil
Enquanto lá fora a disputa é comercial, aqui dentro o impacto é no bolso.
A construção civil brasileira vive um momento de retomada, mas está enfrentando um custo crescente dos insumos. Madeirites, compensados, OSB — tudo ficou mais caro.
Dados de associações do setor mostram que o compensado naval subiu cerca de 18% em 12 meses, e o madeirite plastificado, 22%.
Boa parte dessa alta vem da valorização global e da escassez temporária causada pelas novas tarifas.
Pra piorar, o fluxo de importação diminuiu, e os estoques locais nem sempre dão conta.
Empresas que dependem desses materiais para obras e reformas estão precisando planejar melhor — e comprar antes, sempre que possível.
Uma janela de oportunidade para o Brasil
Nem tudo são más notícias.
Com os produtos asiáticos mais caros e difíceis de entrar no mercado americano, a indústria brasileira ganhou espaço.
Fábricas no Paraná, Santa Catarina e Pará estão exportando mais, principalmente para a Europa e os Estados Unidos.
Esse aumento da demanda externa estimula investimentos em novas linhas de produção e até em reflorestamento comercial.
Além disso, há uma valorização crescente de produtos com certificação ambiental. Quem trabalha de forma legal, com rastreabilidade e sustentabilidade, começa a ver retorno.
Em resumo: quem se organiza e investe em qualidade e transparência está surfando essa nova onda.
Mas o custo interno continua subindo
O lado B dessa história é que parte da produção nacional está sendo redirecionada para exportação.
Ou seja: sobra menos madeira e painéis para o consumo interno, e o preço aqui dentro sobe.
Construtoras que precisam de grandes volumes de madeirite, por exemplo, estão pagando 10% a 15% a mais do que há um ano — e enfrentando atrasos de entrega que chegam a 20 dias.
Nada trágico, mas suficiente para bagunçar o cronograma de obra e apertar o caixa.
Nesse cenário, o segredo é planejamento. Comprar antecipadamente, firmar contratos mais longos e manter um bom relacionamento com os fornecedores viraram ações obrigatórias, não opcionais.
Certificações e sustentabilidade em alta
As tarifas de Trump acabaram dando visibilidade para um ponto positivo: o mundo está exigindo madeira legal, certificada e rastreável.
Os EUA e a União Europeia endureceram as regras para produtos de origem florestal, e o Brasil, com suas florestas plantadas certificadas, ganhou destaque.
Mas atenção: o custo de obter e manter essas certificações ainda pesa para pequenas e médias empresas.
Quem quer entrar nesse jogo precisa se profissionalizar — digitalizar processos, investir em rastreabilidade e usar sistemas como o DOF eletrônico, que facilita a comprovação da origem da madeira.
É um esforço que vale a pena. O mercado está pagando mais por produtos limpos e sustentáveis.
O que vem pela frente (2025–2026)
Se nada mudar no cenário político global, podemos esperar algumas tendências claras:
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O Brasil vai exportar mais compensados e painéis estruturais.
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Os preços devem continuar altos até 2026, antes de estabilizar.
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O setor vai investir mais em florestas plantadas e sustentabilidade.
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E a logística, principalmente portuária, vai precisar melhorar para acompanhar essa nova demanda.
Em outras palavras: o país está ganhando importância na cadeia global da madeira. E isso pode ser ótimo, se houver planejamento.
Estratégias para quem quer se adaptar
Quer navegar bem nesse cenário? Aqui vão três caminhos práticos:
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Planeje seus suprimentos.
Faça contratos mais longos com fornecedores e mantenha um controle real dos estoques. O improviso sai caro. -
Diversifique.
Busque novos mercados e produtos. Há espaço para nichos — madeira tratada, painéis engenheirados, produtos certificados. -
Invista em transparência.
Certificações ambientais e rastreabilidade não são mais um “extra”. São o novo passaporte para vender bem.
Empresas que aplicarem essas três frentes estarão mais protegidas contra as turbulências externas e, de quebra, terão um diferencial competitivo forte.
A guerra tarifária de 2025 não é só sobre impostos. É sobre reposicionamento global.
Enquanto alguns países perdem espaço, o Brasil tem a chance de se firmar como referência em madeira sustentável e de qualidade.
Mas é preciso equilíbrio. Produzir com eficiência, vender com estratégia e pensar a longo prazo.
Quem enxergar as tarifas de Trump não como ameaça, mas como oportunidade, vai sair na frente — e transformar incerteza em crescimento real.
